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Manejo pesqueiro Paumari é finalista

06/05/2015

Iniciativa concorre ao Prêmio Nacional da Biodiversidade, cujo resultado será divulgado no dia 22 de maio, em Brasília.

Lábrea (AM) – A experiência pioneira do manejo sustentável do pirarucu empreendido pelo povo Paumari, na região do Médio Purus, foi indicada como finalista ao Prêmio Nacional da Biodiversidade, instituído pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A OPAN concorre com esta iniciativa entre os três finalistas na categoria sociedade civil. O resultado será anunciado em Brasília no dia 22 de maio, Dia Nacional da Biodiversidade, durante cerimônia comemorativa.

Todas as iniciativas finalistas, nas sete categorias, vão concorrer ao prêmio especial “júri popular”, cuja vencedora será eleita por meio de votação eletrônica no site do Ministério do Meio Ambiente.

O Prêmio Nacional da Biodiversidade visa reconhecer o mérito de atividades e projetos da academia, organizações não governamentais, empresas, sociedade civil, órgãos públicos, imprensa e cidadãos que se destacam por buscar a melhoria ou manutenção do estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira.



Dentro dessa perspectiva, o trabalho de manejo pesqueiro do povo Paumari das Terras Indígenas (TI) Paumari do Lago Manissuã, Paumari do Lago Paricá e Paumari do Cuniuá, acumula bons resultados desde quando começou há seis anos. A população de pirarucus vem aumentando exponencialmente. Em 2009 foram contabilizados, nos lagos inventariados, 86 peixes adultos. Em 2012, depois da decisão dos Paumari de suspender a pesca por três anos para fins de recuperação dos estoques, esse número subiu para 268 e, em 2014, saltou para 2.520 pirarucus, nestes lagos. Essa evolução na quantidade de peixes revela oportunidades reais de recuperação de espécies ameaçadas (por conta da sobre-exploração do pirarucu, a pesca desta espécie é proibida no estado do Amazonas) e também de geração de renda de forma sustentável para toda a região.

É importante destacar que o caminho percorrido pelo povo Paumari, visando ordenar o uso dos recursos naturais de seu território, foi sempre pautado por muito trabalho e por um processo intenso de mobilização social para desenvolver a vigilância dos lagos, a construção de etnomapas, elaboração do Plano de Gestão, o zoneamento territorial e a contagem dos pirarucus dos lagos destinados à proteção.



Por conta do manejo, os Paumari mudaram alguns pequenos hábitos e a natureza colaborou de forma incrível, registrando um aumento significativo de todo o estoque pesqueiro, de quelônios e também da fauna terrestre no entorno dos lagos – uma fartura que o povo não via há algum tempo dentro do território. “No meu ponto de vista, o manejo do pirarucu está sendo fundamental para a gestão territorial das terras indígenas Paumari”, comenta o coordenador do Programa Amazonas da OPAN, Gustavo Silveira.

O manejo sustentável do pirarucu tem o protagonismo do povo Paumari, e contou com o apoio de vários parceiros e projetos, como o Aldeias (OPAN-Visão Mundial, 2009 a 2011), Conservação da Biodiversidade em Terras Públicas na Amazônia por meio do consórcio composto por Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Conservação Estratégica (CSF), Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM), Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí (Gamebey), Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé e OPAN, de 2011 a 2013, ambos financiados pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), e, mais recentemente, em 2014, com apoio da Funai e do Instituto Piagaçu, o projeto Raízes do Purus, executado pela OPAN com patrocínio da Petrobras.



Muitos foram os desafios e outros ainda estão por vir, mas o povo Paumari do rio Tapauá, orgulhoso do manejo e cada vez mais unido olha para o horizonte e se permite sonhar. “Quando eu olho para o futuro e me lembro de onde nós saímos, vejo que a gente estava no fundo do abismo. Esse manejo mudou as nossas vidas e nos deu reconhecimento e respeito enquanto povo. Eu me sinto orgulhoso e quero ver a ideia do nosso manejo ser espalhado para o Brasil inteiro”, comenta emocionado Francisco de Oliveira Paumari da aldeia do Xila, TI Paumari de Cuniuá.

Fonte: OPAN

 

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