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O tão longínquo direito de estudar na USP

11/05/2015

Em encontro na Universidade de São Paulo, estudantes da escola pública e educadores questionam vestibular e reivindicam políticas de acesso e permanência no ensino superior

O acesso ao ensino superior público ainda é muito restrito no Brasil. No vestibular, quem vem da escola pública compete de forma desigual com aqueles oriundos das escolas particulares. Tal estado de coisas, porém, recebe críticas de estudantes e professores que cobram políticas de acesso e permanência no ensino superior.

Parte dessas críticas vem dos integrantes do coletivo de cursinhos pré-vestibular Rede Emancipa. Eles estiveram presentes em um ato realizado no campus do Butantã da Universidade de São Paulo (USP), zona oeste de São Paulo (SP), no último sábado (25), para apresentar a USP a vestibulandos da escola pública que não conheciam o local.

Rede Emancipa é um grupo de educadores que organizam cursinhos populares com o objetivo de preparar estudantes oriundos de escola pública para a vida universitária. Todo ano, o coletivo reúne professores e alunos para uma visita do tipo à USP. Esta foi a sétima edição.

“Nós temos direito à faculdade, mas o ensino público é muito precário e não prepara o aluno”, critica Karolayne Oliveira, 17, estudante do cursinho da Rede Emancipa. “Eu também estudei em escola particular e posso dizer que o ensino da escola pública não chega aos pés do sistema privado”, completa.

Em 2012, o Brasil adotou um sistema de cotas para as universidades federais do país. A lei 12.711/2012garante 50% das vagas nas instituições vinculadas ao Ministério da Educação (MEC) para estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas.

Como é uma instituição estadual, a USP, porém, não adota este sistema.

“O ato na USP é um dia emblemático, pois a universidade é um patrimônio de todos, mas vem se tornando cada vez mais elitizada”, afirma Cibele Lima, 30, professora de história e uma das integrantes da coordenação-geral da Rede Emancipa.

A instituição de ensino superior estadual adota o programa de inclusão social na universidade (Inclusp), que concede um bônus no vestibular para negros, pardos, indígenas e/ou egressos da escola pública.

Por meio da assessoria de imprensa, a reitoria da USP afirma que o bônus pode chegar a 15% para estudantes de ensino público com acréscimo de 5% para “pretos, pardos e indígenas”. De acordo com a universidade, o número de ingressantes de escolas públicas em 2015 cresceu 8% em relação ao ano anterior — passou de 32,3% para 35,1% do total de calouros.

Para o professor da Rede Emancipa Eduardo Gomes, 24, este programa de inclusão, contudo, não é o suficiente. “O sistema de bonificação tem um potencial muito limitado. Ele ajuda apenas aquele estudante que não passou por pouco no vestibular”, questiona.

Estudantes do ensino público em reúnem em frente ao Paço das Artes, na USP


Reserva mínima


“Não teve nenhuma alteração significativa. A reserva de vagas para negros na universidade é mínima”, acrescenta Luana Alves, 21, estudante de psicologia da USP e integrante do coletivo Juntos Negros e Negras, presente no encontro deste sábado (25).

Em uma população com maioria de negros e pardos, apenas 11% dos jovens entre 18 e 24 anos no Brasil cursam o ensino superior, segundo o último relatório de desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), referente a 2012.

Ainda naquele ano, a quantidade de negros e pardos ingressando na USP somava menos de 15% dos recém-admitidos na universidade. À época, a parcela de negros e pardos oriundos de escola pública chegava a apenas 7% de um total 11 mil novos matriculados.

Essa evidente desigualdade no acesso ao ensino superior foi tema do documentário “USP 7%”, dirigido pelos jornalistas Bruno Bocchini e Daniel Mello, que estreiou no último 13 de abril e segue em exibição em universidades pelo país.

Políticas de permanência

O ingresso no ensino superior não desponta, no entanto, como única preocupação de estudantes da escola pública. “Deveria haver mais investimento em políticas de permanência nas universidades”, observa Anderson Santana, 17, aluno dos cursinhos do Emancipa.

“Se, por exemplo, eu viesse estudar na USP, será que eu teria condição de vir pra cá todo dia, levando em consideração que moro em Diadema [na região metropolitana de São Paulo (SP)]?”, ele acrescenta, questionando sobre um problema recorrente para quem vive longe de onde estuda, o transporte.

Professora de educação infantil, Maria Lucia de Andrade, 21, estuda pedagogia na USP, foi aluna da Rede Emancipa e hoje coordena uma das unidades. Ela entende que o sistema de permanência nas universidades ainda deixa a desejar. Segundo a educadora, uma das maiores causas de evasão nos cursinhos da Rede Emancipa se deve ao preço do transporte público.

“Não basta apenas passar no vestibular, mas também ter condições de se manter”, afirma. “A luta é para que não apenas um, mas todos possam ter acesso à universidade pública, pois é um espaço sustentado por todos nós”.

Fonte: My Fun City, por Paola Cruvinel

 

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