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Jovem negro é o mais exposto à violência no Brasil e Alagoas lidera índice de vulnerabilidade

11/05/2015

Jovens negros são as principais vítimas da violência no Brasil. Esta realidade, já bastante conhecida pela população brasileira, foi mais uma vez gravemente confirmada, agora por um indicador inédito, o chamado Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) – Violência e Desigualdade Racial. A análise é resultado de uma parceria entre a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) da Presidência da República, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Ministério da Justiça e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil.

Jovem negro é mais uma vez confirmado como a maior vítima da violência no Brasil.


Segundo a pesquisa, a cor da pela está diretamente relacionada ao risco de exposição à violência. Alagoas é apontado como o estado com o mais alto índice (0,608), na escala de 0 a 1. Isto quer dizer que, no território alagoano, os jovens negros de 12 a 29 anos de idade estão mais vulneráveis à violência. No extremo oposto, está o Estado de São Paulo, o melhor avaliado entre as 27 unidades da federação, com IVJ de 0,200.

De acordo com o relatório, quatro estados brasileiros se situam na categoria de vulnerabilidade muito alta, com índices acima de 0,500: Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Ceará. Outras cinco unidades da federação apresentam baixa taxa de vulnerabilidade, com índices abaixo de 0,300: São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal.

Os dados referem-se ao ano de 2012 e levaram em consideração a mortalidade por homicídios, a mortalidade por acidentes de trânsito, a frequência à escola, a situação de emprego, a pobreza no município e a desigualdade na região. O IVJ será utilizado pelo Plano Juventude Viva, da Secretaria Nacional de Juventude, para orientar políticas públicas de redução da violência contra jovens no país.

Taxas de homicídios

Ao analisar, especificamente, as taxas de homicídios de jovens considerados brancos e jovens considerados negros, o levantamento mostra que a Paraíba é o estado com maior risco relativo por cor. Portanto, um jovem negro corre um risco 13,4 vezes maior de ser assassinado na Paraíba do que um jovem branco. Pernambuco registra a segunda maior taxa de risco relativo de homicídios de jovens negros em relação a jovens brancos (11,57 maior), seguido por Alagoas (8,75 maior).

Embora esteja situado na faixa de baixa vulnerabilidade, o Distrito Federal é a unidade da federação com o quarto maior índice de risco de homicídios desse público, 6,5 vezes maior do que a exposição de jovens brancos. O Estado do Paraná é o único estado brasileiro onde um jovem branco corre mais risco de ser assassinado do que um jovem negro.

Os dados de homicídios foram obtidos junto ao Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Segundo o levantamento, o Nordeste é a região brasileira com maior disparidade entre a taxa de homicídios entre jovens negros e jovens brancos. Somente em 2012, 87 entre 100 mil jovens negros foram assassinados. Entre os brancos, esse número cai para 17,4 em cada 100 mil. Isto mostra que o risco de um jovem negro nordestino ser assassinado é quatro vezes maior do que um jovem branco nordestino.

Na Paraíba, o jovem negro corre 13,4 vezes mais risco de homicídio do que o jovem branco.


Em entrevista à Adital, Aline Ogliari, secretária nacional da Pastoral da Juventude (PJ) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), observa que as políticas públicas de segurança devem superar a visão de investimento apenas em policiamento militar, voltando o olhar para a inclusão, por meio de educação e da cultura. “Esse conceito de que segurança é polícia na rua é, infelizmente, respaldado pela sociedade”, lamenta Aline. Ela defende também a desmilitarização da polícia e uma mudança profunda na formação dos policiais.

A secretária da PJ destaca ainda que o Estado — não apenas o governo federal, mas os governos de todas as unidades federativas — deve pensar as políticas públicas contemplando as diversas questões que envolvem os variados grupos sociais. “Ao generalizar, colocamos todos numa situação de igualdade que não existe”, explica Aline. Para isso, ela defende que é importante evidenciar diferenças econômicas, raciais, étnicas e de gênero, fazendo uma retomada histórica e denunciando estruturas de desigualdade.

“E nós, enquanto povo, devemos superar uma naturalização que se faz do extermínio da nossa juventude. O senso comum ainda trata essa questão de uma maneira muito conservadora. É uma parte da população que está sendo dizimada e isso deve nos causar indignação”, frisa a agente pastoral.

Fonte: Adital, por Marcela Belchior

 

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