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Mercado de trabalho brasileiro ainda é hostil à população LGBT

25/05/2015

Menos da metade dos entrevistados se sente à vontade para afirmar sua orientação sexual ou identidade de gênero no trabalho. E empresas ainda barram LGBTs em cargos de chefia

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São Paulo – As empresas brasileiras ainda estão distantes de promover a inclusão e o respeito à população LGBT – sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e outras identidades de gênero. Em estudo feito pela Consultoria Santo Caos, 43% dos entrevistados afirmam ter sofrido discriminação por sua orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente de trabalho. Segundo outro trabalho, elaborado pela empresa de recrutamento Elancers, 38% das empresas brasileiras não contratariam pessoas LGBT para cargos de chefia e 7% não contratariam em hipótese alguma.

“Muitas empresas temem ter sua imagem associada à do funcionário. E com isso perder clientes, ter a credibilidade abalada. As empresas refletem aquilo que está colocado na sociedade. E a homofobia está presente na população”, avaliou o comunicador social Jean Soldatelli, sócio da Santo Caos, em apresentação da pesquisa na noite de ontem (21), durante atividade do Dia Mundial da Diversidade, no Sesc Carmo, no centro de São Paulo.

Dentro das empresas, 47% afirmaram declarar sua orientação sexual ou identidade de gênero. Mas destes, 90% o fazem somente a colegas do mesmo nível hierárquico. Outros 32% ao chefe imediato. E só 2% aos responsáveis pelo departamento de recursos humanos. “As pessoas temem que sua orientação sexual seja utilizada para impedi-la de assumir determinados cargos ou funções. Ou mesmo que isso cause sua demissão”, afirmou Soldatelli.

A consultoria fez 230 entrevistas com ativistas, especialistas – psicólogos, psiquiatras, advogados – e profissionais LGBT, de 14 estados, sendo 49% do sexo feminino e 51% masculino. Destes, 35% são ou foram trabalhadores de empresas de pequeno porte; 12% de porte médio; 27%, grande; e 25% de multinacionais.

Para 52% dos entrevistados, a posição das empresas em relação à diversidade sexual é favorável. Outros 35% qualificaram as empregadoras como neutras. E 13% as definiram como desfavoráveis à inclusão ou permanência de LGBTs em seus quadros. Outros 13% disseram já ter tido dificuldade em conseguir emprego por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Soldatelli ressaltou que muitas dessas pessoas passam a viver vidas duplas, criando formas de omitir seus relacionamentos, comportamentos ou experiências no ambiente de trabalho. Não participam de atividades sociais da companhia e evitam relacionar-se com colegas fora da empresa. "É uma situação difícil, que vai afetar tanto a pessoa que sofre com essa situação, quanto a empresa, que perde produtividade", avaliou.

Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a situação destas é ainda pior: 90% delas ainda estão se prostituindo no país. Mesmo tendo bons currículos, acabam rejeitadas nas entrevistas por não serem sequer compreendidas em seu autorreconhecimento.

“É uma realidade trágica. No estudo nós encontramos muito poucas travestis (em locais de trabalho), de forma que não foi possível fazer um recorte. Mas é claro que há diferenças no tratamento de lésbicas em relação a gays, e destes em relação a travestis, por exemplo. Diferenças associadas a fetiches machistas – no caso das lésbicas – e diferentes níveis de discriminação”, explicou Soldatelli.

Para o pesquisador, as empresas deviam investir em formação para compreenderem o universo de possibilidade relacionadas com a identificação da pessoa: a identidade de gênero, a orientação afetiva, a expressão de gênero e o sexo biológico. No entanto, a maior parte das ações corporativas de diversidade são afirmações genéricas de respeito e de tratamento igualitário.

No geral, as empresas mantêm ações de caráter punitivo, quando identificada uma situação de discriminação. “Se as empresas se engajarem e incorporarem a diversidade, de verdade, elas tendem a contribuir para o combate à discriminação. Ser 'neutra' não é o bastante. As empresas podem desenvolver manuais de conduta, serem agentes transformadores”, defendeu o ativista.

O pesquisador alerta, no entanto, para outro risco: o de obrigar os funcionários a “saírem do armário”. “Deve se preocupar, sim, em criar um clima bom entre os trabalhadores, para que as pessoas se sintam à vontade para serem elas mesmas. Quem preferir não comentar sobre isso deve ser respeitado também”, completou.

Para Soldatelli, as empresas e o país só têm a ganhar com a inclusão efetiva da população LGBT. Hoje o país tem aproximadamente 20 milhões de pessoas neste grupo. “Empresas com maior diversidade tendem a ser mais produtivas e melhorar seus ganhos, pois as pessoas acabam por se engajar mais em um ambiente onde não são discriminadas. E elas são também consumidoras”, concluiu.

Fonte: Rede Brasil Atual, por Rodrigo Gomes 

 

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