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Rede articula mais de 500 pessoas contra tráfico de seres humanos

27/05/2015

Persistem no Brasil os casos de trabalho análogo à escravidão, uma das modalidades mais evidentes ligadas ao tráfico de seres humanos. Embora tenha ocorrido uma tímida redução em 2014, até meados de maio de 2015, já foram 419 pessoas resgatadas de trabalho escravo, segundo números divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

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No ano passado, foram 1.674 pessoas resgatadas e as atividades onde mais ocorreram resgates são: a construção civil (452 casos), agricultura (358 casos) e pecuária (238), mantendo Minas Gerais como o estado com o maior número de resgates.

O grupo móvel de combate ao trabalho escravo, criado há 20 anos, resgatou perto de 50 mil pessoas no período. As organizações que atuam no enfrentamento ao problema acreditam, entretanto, que, por falta de fiscais, muitos casos não viraram denúncia, nem foram investigados.

Presença profética da Igreja

Atuar em rede, agir em sinergia tem sido a alternativa encontrada por organizações religiosas na defesa da dignidade da pessoa, contra o trabalho escravo e o tráfico de seres humanos. Com este objetivo, mais de 500 pessoas já fazem parte da rede intercongregacional "Um Grito pela Vida” que, desde 2006, é parte constitutiva da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e integra a Talitha Kum, Rede internacional da Vida Religiosa Consagrada.

Cresce o número de religiosas (os) engajadas e os leigos também passam a fazer parte, como relata a coordenadora nacional da rede, irmã Eurídes Alves de Oliveira, observando que a rede tem 23 núcleos no Brasil, em 20 estados e no Distrito Federal, com 10 a 15 religiosas e leigos em cada núcleo.

"No conjunto, hoje, a rede soma mais de 500 pessoas, com 300 religiosas, porque a maioria é formada de religiosas e em torno de 20 religiosos, mas muitos leigos ligados a congregações, estudantes, enfim voluntários, na rede”.

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América Latina e Ásia

Recentemente, a rede "Um Grito pela Vida” ajudou a organizar, em Brasília, o III Seminário Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos, como atividade do Grupo de Trabalho (GT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) contra o Tráfico Humano e Trabalho Escravo. O propósito do evento, segundo a diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), irmã Rosita Milesi, foi de enfatizar que, por trás das estatísticas, existem seres humanos, feridos em sua dignidade.

A ação do grupo é justificada já que o Brasil é mencionado pelas Nações Unidas como país de trânsito, origem e destino de pessoas traficadas, a grande maioria mulheres vítimas da exploração sexual, mas também, embora não seja devidamente tipificado em lei, os casos de escravidão laboral, que configuram tráfico humano.

Segundo a coordenadora da rede "Um Grito pela Vida”, o Brasil é responsável por 15 por cento das pessoas traficadas para o exterior para exploração sexual. "A América Latina juntamente com o continente asiático lideram a estatística mundial. O Brasil tem também um grande fluxo de tráfico interno para exploração sexual, trabalho escravo e servidão doméstica, que ainda está na invisibilidade e com assédio e exploração sexual concomitante”, lamenta.

Passos lentos

Na opinião de irmã Eurídes, de 2005 em diante, com o estabelecimento da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Humano, houve alguns avanços, mas o Brasil age apenas na ponta do iceberg.

"Andamos a passos de tartaruga, porque, de fato, a concretização é devagar. Há falhas no monitoramento e lá na ponta, no interesse dos estados e municípios, Por exemplo, o mapa do Ministério da Justiça fala que, no Amazonas, existem 11 núcleos, mas, na verdade, são dois, que funcionam precariamente”, denuncia.

A coordenadora da rede é imperativa: "falta vontade política e recursos e há muitos casos de tráfico de pessoas com envolvimento de políticos”.

Fonte: Adital, por Roseli Lara, do POM

 

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