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Documentário “As Sementes” destaca a participação das mulheres na Agroecologia

31/07/2015

Como alternativa para a agricultura familiar, a Agroecologia propõe uma relação respeitosa com o meio ambiente, onde a preocupação com a produção de alimentos diversificados e sem agrotóxicos caminha junto com a qualidade de vida das famílias agricultoras e dos/as consumidores/as beneficiados/as pela produção. As práticas agroecológicas também potencializam a participação das mulheres na unidade produtiva familiar – desde o plantio até a comercialização – propondo relações igualitárias de gênero e visibilizando o trabalho de agricultoras que contribuem para a soberania alimentar e para a preservação das sementes crioulas, da biodiversidade e das mais diversas tradições. É em torno deste papel da mulher dentro da Agroecologia que se desenvolve o documentário As Sementes (2015, 30 min), lançado ontem à noite na Faculdade de Direito do Recife, no Centro da cidade.

Dirigido pelo cineasta e economista Beto Novaes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o documentário é um registro das trajetórias de vida de mulheres agricultoras que participam ativamente dos movimentos agroecológicos no Brasil e que se tornaram referências e/ou lideranças sociais e políticas em seus territórios. As Sementes é inspirado no livro Mulheres e Agroecologia: transformando o campo, as florestas e as pessoas, que surgiu a partir da tese de doutorado de sua autora, Emma Silliprandi. Em sua filmografia, Beto Novaes costuma trabalhar a imagem numa perspectiva ideológica, retratando temas relacionados ao mundo do trabalho e resgatando a memória das lutas das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais.

Lançamento As Sementes. 29.07.2015 (NOITE)


O lançamento do documentário no Recife foi organizado pelo Núcleo de Estudos, Pesquisas e Práticas Agroecológicas do Semiárido (NEPPAS), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), pelo Centro Sabiá, pela Actionaid e pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Na mesma ocasião, foi lançado o Dossiê Abrasco: Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde, da Editora Expressão Popular.

Organizações parceiras da Marcha das Margaridas 2015 participaram do encontro. Desde a primeira Marcha, as mulheres vêm denunciando o uso desenfreado dos agrotóxicos no Brasil, que é o principal consumidor de agrotóxicos do mundo, sem legislação e fiscalização eficientes quanto ao registro e controle de uso. No país, a região do Cerrado é a principal fonte de água que abastece aquíferos fundamentais para sobrevivência humana em outras regiões do país, e está com uma contaminação imensa do seu solo por agrotóxicos, impactando na impossibilidade de acesso à água potável pelas populações. Até no leite materno tem sido identificado resíduos de agrotóxicos. (Confira o documento com pauta de reivindicações da Marcha 2015)

O filme de Beto Novaes aborda temas que integram os eixos da Marcha, como Agroecologia, sementes e transgênicos e o uso indiscriminado de agrotóxicos. Afinal, são as mulheres que têm um papel fundamental na biodiversidade da produção, com suas hortas, quintais produtivos ou outros locais de trabalho. São elas que buscam proteger as sementes para assim garantir uma maior qualidade do alimento, diversidade e facilidade na preparação da comida. Também são as mulheres que, por conta dos agrotóxicos, sofrem com desequilíbrio do sistema imunológico, hormonal, contaminação do leite materno, má-formação fetal, entre outros males para a saúde. Elas são vítimas do veneno fora de casa e também nas atividades domésticas, quando, por exemplo, lavam as roupas contaminadas de seus maridos e filhos.

Lançamento As Sementes. 29.07.2015 - Beto Novaes (2)


Roda de Diálogo –
 Na tarde de ontem, em conversa com jornalistas que integram alguns dos movimentos sociais no Recife, o cineasta Beto Novaes compartilhou aspectos do processo de construção de seus filmes. A roda aconteceu no Centro Sabiá e contou com a presença de representantes da Fetape, Articulação no Semiárido (ASA), do SOS Corpo, do Movimento das Trabalhadoras Rurais de Pernambuco (MMTR-PE), entre outros/as. Beto Novaes expôs sua preocupação em trabalhar o conhecimento acadêmico em imagens, provocando sentimentos de mudança, indignação e deslocamento. A ideia de seu trabalho é, ao usar outra linguagem, retornar ao chão onde o/a pesquisador/a pisou para formatar sua pesquisa.

Para Laudenice Oliveira, jornalista do Centro Sabiá, o ponto alto do documentário As Sementes está no retrato que é feito das trabalhadoras rurais sem o reforço de estereótipos. São mulheres que romperam com a dominação masculina e que permitiram filmar seus lados guerreiros e revolucionários, ao mesmo tempo em que expuseram suas fragilidades. “As sementes que o título do filme fala são o resultado das transformações plantadas pelas agricultoras. Ao romper com a estrutura machista fomentada pela sociedade e com as formas predadoras de cuidar da terra, elas usam a Agroecologia para o mudar o mundo a partir de dentro de casa e do chão onde trabalham”, finaliza Laudenice.

Fotos: Laudenice Oliveira, DivulgaçãoEdição: Paula de Andrade

Serviço:

O documentário As Sementes, 2015, 30min, direção de Beto Novaes, estará em breve no YouTube. Por enquanto,  pode ser adquirido na Livraria da Travessa, onde também está disponível o livro que inspirou o filme.

Fonte: SOS Corpo, por Nathália D’Emery

 

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