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Debate em Parelheiros trata do papel da juventude para o desenvolvimento sustentável e o fim da pobreza

14/08/2015


A ação integra as comemorações do Dia Internacional da Juventude (12) e faz parte de uma ação global em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável entraram nos debates de grupos de jovens em todo o mundo como forma de celebrar o Dia Internacional da Juventude, comemorado em 12 de agosto. As ações foram organizadas por instituições e coletivos parceiros na campanha Action 2015, que tem a meta de mobilizar pessoas em torno dos recém deliberados ODS, pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Em São Paulo, cinco organizações (Abong, Engajamundo, Ibeac, Viração e a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura) se reuniram em uma tarde de atividades com adolescentes e jovens de 13 a 29 anos, em Parelheiros, zona sul de São Paulo. A ação foi uma forma de lembrar a data e promover um intercâmbio de ideias sobre o desenvolvimento sustentável, o fim da pobreza e o papel do jovem.

As atividades foram divididas em dois momentos. O primeiro, uma roda de conversa sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, tratou dos mais diversos temas que fazem parte dos 17 objetivos e 169 metas. O segundo foi um jogo interativo com questões que falavam sobre igualdade de gênero, juventude, mudanças climáticas, agricultura e pobreza, entre outros. Quem acertasse perguntas como “No mundo, uma média de quantas pessoas ainda sofrem com a insegurança alimentar (fome)?”, com múltiplas opções de respostas, tinha direito ao “quit ativismo”, contendo lambe-lambes, stencil e um fanzine (jornal artesanal) sobre os objetivos.

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Jovens personalizam suas camisetas com o “quit ativismo”.

Sobre a juventude

Três convidados, que acompanham negociações e conferências internacionais, mediaram a conversa: Rafael Fernandes, do coletivo Clímax que debate questões climáticas, Mark Lutes, da WWF, organização global sobre meio ambiente, e Raquel Rosemberg, do Engajamundo, grupo que existe há dois anos na formação de jovens para atuar e fazer incidência política nas conferências internacionais.

Raquel iniciou o debate falando sobre duas questões que prejudicam a participação da juventude em ambientes de decisão e formulação de políticas. O primeiro é o desinteresse da própria juventude e o segundo é a inexistência de espaços que levam em consideração as vozes da juventude. “Foi durante a Rio+20 que percebemos que não poderíamos ficar de fora desse debate. Agora, queremos incentivar os jovens a participar”, explica. Débora Souza, outra integrante do “Engaja”, como é carinhosamente chamado, complementou o debate ao informar que o termo “jovem” aparece relacionado a apenas dois ODS, “o que trata de educação e o que fala de emprego seguro”, ranqueou.

Mas além de querer participar, os jovens precisam entender e conquistar esse direito. De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em 65 países em todo o mundo, mais da metade da população tem menos de 24 anos e tirar dessas pessoas o direito de participação em tomada de decisões é uma grave violação dos seus direitos humanos e uma falha no processo democrático.

Bruno Souza é um jovem que integra os “Escritureiros” (jovens voluntários que desenvolvem atividades de incentivo à leitura) da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, de Parelheiros. Para ele, é muito complicado como as decisões ainda chegam para os jovens, principalmente das periferias. “Debatem ‘lá’ e trazem as coisas pra ‘cá’, como se a gente não soubesse nada”, contexta. Bruno e outros jovens da comunidade concordam que alterar esse modo de fazer vai pedir muito esforço, pois representa uma mudança de cultura, tanto nos espaços que não aceitam a participação da juventude, como da própria juventude, em reconhecer seu papel e transformar essa realidade.

Ao apresentarem a biblioteca comunitária, os jovens de Parelheiros deram uma aula sobre desenvolvimento sustentável: as paredes coloridas internas são de tinta feita com terra, existe uma cisterna para captação e aproveitamento da água da chuva, as telhas são de PVC reciclado, a horta orgânica já produz algumas hortaliças para consumo e o local onde aconteceu a roda de conversa foi feito com “super-adobe” (uma técnica de permacultura). “Parelheiros é área rural, pólo de ecoturismo, área de preservação, mas os jovens daqui pensam que legal é ganhar dinheiro e morar no centro de São Paulo. O jovem não vê que estar em Parelheiros é muito maravilhoso e que aqui temos muitas oportunidades de viver, trabalhar e se desenvolver”, articula.

Horta orgânica da Biblioteca Comunitária.
Horta orgânica da Biblioteca Comunitária.

Sobre mudanças climáticas, Mark Lutes, da WWF, lembrou que esse ano haverá outra importante conferência, em Novembro, em Paris, a Cop 20. “As negociações que começaram em 1990 avançaram pouco. Os países querem evitar compromissos e não vão fazer nada se as pessoas não pressionarem a fazer políticas públicas. Por isso a necessidade de participação da juventude”, argumentou.

De certa forma, a maior parte dos jovens reconhece que o grande desafio frente ao ODS será traduzir o texto para uma linguagem que faça sentido para as pessoas e as comunidades, incentivando cada um a deixar o ponto de conforto e atuar também.

O representante da juventude de Parelheiros na Coordenadoria de Juventude de São Paulo, Alenildo Almeida, que participou do debate, falou da importância do jovem na política. Na sua avaliação, o jovem, principalmente aquele da periferia, tem pouco espaço e precisa conquistar esse “território” político. “Falta força da juventude nas periferias. Se a gente não se organizar e ocupar as políticas públicas, será difícil caminhar”, analisou.

E essa realidade a respeito da relação juventude e política ainda é muito preocupante. Em torno de 16% da população do mundo tem entre 20 e 29 anos, mas essa faixa etária representa apenas 1,6% de parlamentares, dos quais a maioria são homens, de acordo com o UNFPA. A carta publicada em função do dia 12, pelo fundo internacional, também enfatiza que a juventude raramente adere a partidos políticos e a maioria não vota em eleições.

#jovempresente #action2015 #youthpower #beyond2015

“A noção que temos sobre o que é desenvolvimento é muito confusa. É comum ver jovem de Parelheiros querendo que derrubem árvores e construam um shopping. É claro, é isso que a TV e a sociedade pensa que é legal. Então o jovem que nasce aqui não tem como objetivo viver aqui. Quer estudar, ganhar dinheiro, comprar um carro e viver no centro de São Paulo”. (Bruno Souza, 25 anos, integrante do grupo de jovens voluntários da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, os Escritureiros).

Fonte: Brasil no Pós 2015

 

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