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Parlamentares ruralistas teriam incentivado ataques contra Guarani e Kaiowá

23/09/2015

A comunidade da Terra Indígena Ñanderú Marangatú, homologada pela Presidência da República há mais de 10 anos, foi atacada, em 29 de agosto, por um grupo de proprietários rurais, o que levou ao assassinato da liderança Semião Vilhalva Guarani e Kaiowá, de 24 anos.

Cleber Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) alerta que os Guarani e Kaiowá estão vivendo uma situação insustentável. Ele denuncia também uma preparação mediática a partir de mentiras para justificar os ataques.

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Cleber Buzatto, secretário executivo do Cimi.


O Cimi denuncia uma orquestração midiática preparando o clima para esses ataques que culminaram no assassinato de Semião. Como foi isso?

Já no início da semana, e mesmo no próprio sábado antes do assassinato de Semião Vilhalva Guarani e Kaiowá, havia ações organizadas por lideranças sindicais e seus familiares fazendeiros no Mato Grosso do Sul.

Uma das fazendeiras divulgou um vídeo incitando a população local contra os índios, e uma série de boatos foram espalhados naquela região. Entre os boatos, diziam que os indígenas iam invadir a cidade, para colocar fogo nela.

No dia 27, Pedro Pedrossian Filho postou uma mentira no seu perfil do Facebook, que se espalhou virtualmente. Ele pegou fotografias de um maquinário queimado em uma fazenda do Paraguai e escreveu que aquele maquinário tinha sido queimado pelos indígenas.

Espalhou isso, com mais de mil e quinhentos compartilhamentos, com uma série de comentários mais do que racistas, ameaçando fazer ataques e assassinatos contra os indígenas Guarani e Kaiowá.

Foi criado todo um ambiente para que houvesse uma espécie de justificativa para esse ataque perpetrado e posto em prática pelos latifundiários. Sendo que o ataque aconteceu após uma reunião no Sindicato Rural da cidade de Antônio João (Estado do Mato Grosso do Sul), onde a sra. Roseli Maria Ruiz incentivava o ataque.

Havia dois deputados e um senador envolvidos?

Havia. A presidenta do Sindicato Rural do Município, Roseli Maria Ruiz, os deputados federais Luiz Henrique Mandetta (Democratas – DEM) e Tereza Cristina (Partido Socialista Brasileiro – PSB), e o senador Waldemir Moka (Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB) estiveram presentes na reunião, que incentivou produtores rurais a organizarem o ataque à comunidade indígena.

Mandetta, inclusive, acompanhou os fazendeiros na ocasião do ataque. No sábado de manhã, dia 29 de agosto, Roseli Maria Ruiz convocou uma reunião de fazendeiros e teria feito um discurso exaltado, chamando os fazendeiros para que a acompanhassem o ataque aos Guarani Kaiowá, que haviam retomado as fazendas desde o dia 22 de agosto.

Durante o ataque, Semião levou o tiro que o matou. Além da sua morte, vários indígenas, entre eles crianças, ficaram feridos a pauladas. Uma criança de um ano e poucos meses levou um tiro de borracha nas costas e outro na cabeça.


Tiros de borracha não são armas da polícia?

Durante o conflito, agentes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), que é um órgão oficial, um destacamento de operações de fronteira, estava no local. Portanto, ou os tiros partiram dos próprios policiais ou dos fazendeiros.

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Roseli Ruiz, do Sindicato Rural de Antonio João, suspeita de liderar ataque e matou o indígena Semião Vilhalva.


Se partiram dos fazendeiros significa que estão tendo acesso a armamento restrito, e se partiram dos policiais, significa que participaram junto com os fazendeiros. Ou seja, essa é uma questão que também precisa ser resolvida.

Nesse caso, o governo federal enviou a força de segurança na região da Terra Indígena Nanderú Marangatu contra essas ações paramilitares, visando a inibir essas atitudes, que atentam contra o estado democrático e de direito.

O que se espera do governo e das autoridades pertinentes?

Esperamos que o Poder Executivo tome medidas concretas e profícuas, no sentido de dar sequência aos procedimentos administrativos de demarcação das terras dos povos indígenas dessa região.

E que o Judiciário reveja alguns posicionamentos que tem adotado de suspender ou anular os efeitos de atos administrativos de demarcação de terras indígenas locais, porque está mais do que evidente que só poderemos encontrar uma solução definitiva para essa situação de tensões no Mato Grosso do Sul com a retirada dos não-índios das terras indígenas.

Duas investigações estão em curso, uma pela Polícia Federal e outra pelo Ministério Público Federal (MPF) do Mato Grosso do Sul – em decorrência dos ataques de fazendeiros contra as comunidades das terras indígenas, que culminaram no assassinato da liderança Semião Vilhalva Guarani e Kaiowá, de Guyra Kamby'i, no Distrito de Bacajá – que fica a cerca de 30 quilômetros do Município de Dourados, no Mato Grosso do Sul.

A deputada estadual Mara Caseiro (Partido Trabalhista do Brasil – PtdoB), apresentou uma petição para abertura de uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito]. Ela afirma ter documentos que comprovariam que o Cimi incita invasões de terras em Mato Grosso do Sul. Esta deputada não possui nenhum elemento concreto, que justifique esse pedido de CPI.

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O seu pedido contra o Cimi se trata de uma cortina de fumaça para tentar encobrir as ações paramilitares, postas em prática pelos fazendeiros no Mato Grosso do Sul, bem como o assassinato da liderança cometido pelos fazendeiros.

As ações de retomadas de terras feitas pelos povos indígenas são autônomas, pois eles são senhores e sujeitos de suas posições, análises, decisões e ações. E, portanto, são plenamente conscientes das consequências potenciais advindas dessas ações políticas. É exatamente por isso que muitas comunidades têm aguardado décadas para realizarem algumas dessas ações. E eles só as realizam realmente quando se sentem em uma situação limite.

Essa retomada só foi feita depois de mais de 10 anos estando acampados em um espaço extremamente reduzido. E o nosso papel nessas situações, quando somos acionados pelas lideranças, é o de dar visibilidade e acionar os órgãos, buscando não haver maiores consequências contra os povos. Portanto, o que temos feito é divulgar e visibilizar a luta dos povos e principalmente denunciar as violências cometidas contra eles.

Fonte: Adital

 

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