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Uma fonte de água limpa

13/10/2015

Extrativistas do Médio Juruá constroem sistema simplificado e barato de saneamento reconhecido como tecnologia social e política pública

Carauari-AM - O processo de organização dos extrativistas do Médio rio Juruá, no Amazonas, tem promovido uma revolução atrás da outra. A implementação de um sistema simplificado, barato e muito eficiente de saneamento é uma delas. Melhorou a saúde – com a redução de 80% das doenças provocadas pela água em crianças de zero a 12 anos –, e a qualidade de vida das pessoas. A experiência, que existe desde 2007, tem sido tão bem-sucedida que chamou a atenção do governo. E agora, problemas detectados desde 1913 pelo doutor Oswaldo Cruz estão sendo, enfim, solucionados já que o Ministério do Desenvolvimento Social de Combate à Fome (MDS resolveu ampliar o “projeto Sanear”, transformando-o em política pública também para outros estados do Norte: Acre, Amapá e Pará. Com a construção desses sistemas de saneamento, a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), que reúne os extrativistas da região, foi escolhida finalista do prêmio de Tecnologia Social do Banco do Brasil, e pode sair vencedora no próximo dia 10.

Iniciado há oito anos nas comunidades São Raimundo e Imperatriz, da Reserva Extrativista (Resex) Médio Juruá, o “projeto Sanear”, que começou com recursos da Petrobras, promoveu a instalação de sistema de captação de água da chuva, sistema de tratamento, pontos de água para cozinha, construção de banheiro com pia, lavatório, chuveiro e vaso sanitário, além de abertura de fossa, a um custo aproximado de R$ 3.300,00 em cada comunidade atendida. Antes disso, as pessoas eram obrigadas a fazer tudo com a água tirada direto do rio. Com as primeiras melhorias, em 2009, mais seis comunidades ribeirinhas da Resex e também da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari adotaram o sistema. Depois, por meio do Conselho Nacional dos Extrativistas (CNS), as populações, em diálogo com o MDS, insistiram na ideia de que não poderiam esperar 100 anos desde os relatos de Oswaldo Cruz sobre a região para a implementação de um sistema de saneamento. Conseguiram que o governo tomasse a responsabilidade para si.

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Foto: Ricardo Silveira Bernardes/UnB.

“Este é um dos melhores projetos que tive a oportunidade de participar”, diz Antonio Adevaldo Dias da Costa, presidente do Memorial Chico Mendes e membro da Asproc desde o início do trabalho com o saneamento. De acordo com ele, as pessoas de outras regiões, pensando na abundância de rios da Amazônia, não fazem ideia das dificuldades de acesso à água própria para consumo na região. Ele destacou que além da redução significativa de parasitoses, até mesmo a malária é melhor prevenida com o sistema, já que passa a ser possível tomar banho no chuveiro e não no rio. Isso evita a exposição às picadas do mosquito hospedeiro, que oferece mais risco a partir das 18h. Ele está animado com a ampliação da experiência para outros estados nortistas e espera que a política pública avance por todo o país.

A Universidade de Brasília (UnB) é uma das parceiras dos extrativistas nesta iniciativa pela realização de um projeto de pesquisa, disponibilização de seus laboratórios e também por conta total envolvimento do professor Ricardo Silveira Bernardes, engenheiro e PhD em Ciências Ambientais. Ele explicou que o sistema de saneamento implementado é muito simples, pensado para uma manutenção mais básica que pode ser feita pela própria comunidade, especialmente com as capacitações que foram realizadas no processo. Ele contou ainda que, além de captar a água da chuva durante sete ou oito meses do ano, nos períodos de estiagem é possível também pegar água de outras fontes, como do igarapé, que, passando pelo sistema, é tratada e fica boa para consumo.

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Foto: Ricardo Silveira Bernardes/UnB.

Entre os benefícios do saneamento na região, o professor Ricardo Bernardes destaca a saúde – não apenas das crianças, em que já se constatou a significativa redução das doenças, mas também dos adultos – e o conforto possibilitado pela água limpa e dentro das casas, como a privacidade para tomar banho e a facilitação e ganho de tempo da vida das mulheres, normalmente responsáveis por ir buscar a água no rio, inclusive carregando muito peso. “Ganham-se duas, três horas no dia”, contou. De acordo com ele, nas comunidades em que o sistema foi instalado inicialmente algumas pessoas até adquiriram tanquinho para lavar roupa.

Com a expansão da experiência do “projeto Sanear” não somente os outros estados, mas também 100% das comunidades ribeirinhas da região passarão a ter o saneamento básico: a RDS Uacari, a Resex Médio Juruá e a Resex do Baixo Juruá. “É uma solução efetiva, que traz resultados”, diz coordenador do Programa Cisternas, do MDS, Igor Arsky. Ele disse que todo o trabalho, no Amazonas e nos outros estados, deve ser concluído até o próximo ano, atendendo a 2,8 mil famílias.

“O governo federal entendeu que isso é muito importante”, diz Francisco Flávio Ferreira do Carmo, atual presidente da Asproc, em relação à política pública. Ele comentou que o sistema está dando uma repercussão imensa e disse que se sente grato porque o projeto já foi certificado como tecnologia social e, além disso, é finalista. Flávio enfatizou, ainda, que a premiação vem não apenas pelo trabalho com a água, mas significa um reconhecimento maior relacionado à organização das comunidades e da própria Asproc. A associação também se notabilizou pela iniciativa de criar uma rede de transportes e comercialização justa para produção dos extrativistas.

No prêmio de Tecnologia Social do Banco do Brasil, a Asproc concorre na categoria de Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados da Reforma Agrária ao lado do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, também do Amazonas, e do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica, de São Paulo. Os vencedores do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social serão anunciados no próximo dia 10, em Brasília.

Outros trabalhos certificados

A Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc) é parceira da OPAN no projeto “Arapaima: redes produtivas”, executado com recursos do Fundo Amazônia. O trabalho visa o fortalecimento dos arranjos produtivos de pirarucu manejado e de produtos florestais não madeireiros, tanto na região do Médio Juruá, quanto do Médio Solimões. Além do projeto Arapaima, a OPAN desenvolve outros importantes trabalhos de apoio ao fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis, destacando-se pela atuação com o povo Paumari do rio Tapauá no manejo de pirarucu, que também recebeu este ano a certificação em tecnologia social do Banco do Brasil. Esse reconhecimento proporciona maior visibilidade para o projeto, mostrando a outras comunidades que a produção aliada à conservação da natureza pode melhorar a vida das pessoas.

Além do Instituto Mamirauá, outros parceiros da OPAN também tiveram iniciativas certificadas como tecnologia social pelo Banco do Brasil, como a Associação Rede de Sementes do Xingu e o Projeto Pacto das Águas.

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Dafne Spolti - dafne@amazonianativa.org.br

Telefone: (65) 3322-2980 / 9605-6278

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Fonte: OPAN 

 

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