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Criação de raças nativas é apontada como referência para a resiliência das famílias agricultoras no Semiárido

04/12/2015

O resgate, a conservação e a valorização das raças de animais nativos do semiárido brasileiro foram os grandes compromissos assumidos por todas as organizações que estiveram presentes no Seminário Raças Nativas na Agricultura Familiar Agroecológica, realizado nos últimos 17, 18 e 19 de novembro, no Santuário Padre Ibiapina, município de Arara, PB. O evento foi promovido pelo Núcleo de Extensão Rural Agroecológica (Nera), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em parceira com o Instituto de Assessoria a Cidadania e ao Desenvolvimento Local Sustentável (IDS) e as organizações da Articulação do Semiárido Paraibano, como: o Coletivo das Organizações da Agricultura Familiar do Cariri, Seridó e Curimataú, o PATAC, o Polo da Borborema, a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e o Coletivo ASA Cariri Oriental (Casaco).

O Seminário teve como objetivos o aprofundamento da reflexão sobre a importância das raças nativas na agricultura familiar de base agroecológica para a convivência com o semiárido; a analise da influência das especializações e suas ameaças ao sistema de criação animal agroecológico; a reflexão sobre o papel das políticas públicas governamentais voltadas para a criação animal; e a identificação dos desafios e perspectivas no sentido de fortalecer o resgate das raças nativas para as famílias agricultoras e de áreas de reforma agrária.

Para o debate dessas questões contou também com a participação da Red Conbiand, uma articulação ibero-americana que reúne pesquisadores de cerca de vinte países que estudam raças nativas e adaptadas para o desenvolvimento sustentável. Dois pesquisadores da Red estiveram presentes no encontro, Maria Esperanza Camacho, pesquisadora do Instituto Andaluz de Investigación y Formación Agraria y Pesquera, juntamente com Juan Vicent Delgado Bermejo, pesquisador da Universidad de Córdoba.

Quatro experiências de agricultores guardiões de raças nativas de animais foram apresentadas no primeiro dia do evento e alimentaram o debate e as decisões assumidas como compromissos e definições para encaminhamentos. Edivan, do Coletivo Regional, mostrou a sua experiência na criação de caprinos em fundo de pasto. Uma estratégia que consiste na ausência de cercas entre as propriedades vizinhas, possibilitando uma maior área para a pastagem para os animais de todas as famílias da comunidade. Dona Maria apresentou as suas aves nativas e o seu conhecimento sobre o tratamento fitoterápico de perus, galinhas, patos, gansos e guinés. Seu Arunda compartilhou a sua história na preservação das abelhas nativas do semiárido, tais como a “mosca branca” e a “abelha mosquito”. O casal Luizinha e Zé Paulo apresentou o manejo dos porcos da raça local denominada “casco de burro” e que estão com a família por mais de 40 anos. Durante o evento, esses agricultores e agricultoras receberam certificados de guardiões e guardiãs de raças nativas, saindo com o compromisso de manter a preservação de suas espécies.

Ao final do evento, as cerca de 80 pessoas participantes avaliaram que o seminário contribuiu para uma maior apropriação de conhecimentos sobre o conceito e a conservação das raças nativas ou adaptadas ao contexto local; para a necessidade de se lutar por políticas públicas adequadas a valorização das raças nativas; além das famílias agricultoras afirmarem seu papel como guardiãs das raças nativas.

No último dia do Seminário também foram pontuados os desafios e as propostas para sua superação, que segundo Gloria Batista, da coordenação da ASA Paraíba, devem ser “construídas juntamente com as famílias agricultoras, por meio da partilha dos conhecimentos acumulados pela trajetória de camponesas e camponeses que produzem alimentos e cultura no semiárido, onde a vida pulsa”, afirmou. Assim, é por meio dos intercâmbios, do fortalecimento do GT de criação da ASA-PB, da pesquisa participante e das políticas adaptadas a realidade que se pretende superar os desafios de encontrar, conservar, manejar de forma sustentável e dar visibilidade a biodiversidade animal presente no semiárido paraibano e brasileiro.


Fonte: AS-Pta 

 

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