Foto: Seminário Nacional Abong/ Laura Leite Observatório do Terceiro Setor.

Transformando informação em ação: lições do Seminário da Abong

A Abong realizou Seminário Nacional com o tema “Oscs e Participação Popular”; o evento abordou os cenários de desigualdades, desinformação, direitos humanos e contribuições da sociedade civil para a democracia.

Por Redação

No final de fevereiro, a Abong – Associação Brasileira de ONGs realizou o Seminário Nacional com o tema “Oscs e Participação Popular”, onde diferentes frentes da sociedade civil e representantes do terceiro setor refletiram sobre seus papéis na participação popular e democracia brasileira.  O espaço marcou o debate entre organizações, base associativa da Abong, parceiros, redes de movimentos sociais, agências de cooperação internacional, representantes da administração pública e demais interessados.

Na primeira mesa criou-se um panorama político contextual para reflexão sobre a participação social. José Moroni, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e Plataforma por Outro Sistema Político, pontuou que “para podermos ter um projeto político participativo é preciso fazer um acerto com o passado, estruturar e acabar com as desigualdades (…) não há participação popular brasileira sem enfrentar as desigualdades, reparar a história.”

A segunda mesa discutiu desinformação, fake news e direitos humanos, apontando as dificuldades que o terceiro setor enfrenta com a difusão de informações que comprometem a visão sobre o setor. Débora Salles, do NetLab da UFRJ, expôs o relatório feito a partir do mapeamento de difusores desinformativos na Amazônia Legal para subsidiar a criação de campanhas estratégicas de combate à desinformação e discurso de ódio. Também foi abordado o monitoramento da CPI das ONGs e a repercussão da Agenda Ambiental nas redes, realizado pelo Instituto Democracia em Xeque

Ao mencionar o relatório do[Download não encontrado.] Foto-Seminario-Nacional-Abong-Laura-Leite-Observaorio-do-Terceiro-Setor.jpg (43 downloads)  NetLab da UFRJ sobre a disseminação de informações falsas na Amazônia Legal e o monitoramento da CPI das ONGs pelo Instituto Democracia em Xeque, destacou-se a necessidade de estratégias para combater a propagação de fake news e discursos de ódio, os quais comprometem a compreensão adequada do papel das organizações da sociedade civil e minam a confiança nas instituições democráticas.

Na terceira mesa, a discussão foi marcada dentro do tema de “Sociedade Civil e Participação Popular: contribuições para radicalizar a democracia”. “Nossa comunidade (LGBTQIAP+) não pode naturalizar a violência sofrida, temos que nos entender como corpo político ativo”, disse Keila Simpson, presidente e fundadora da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (ANTRA).

O evento foi finalizado com a apresentação de resultados prévios da Pesquisa sobre Participação Social realizada pela Abong, com apoio da Fundação Friedrich Ebert Brasil, e o lançamento da Cartilha “Nossos Saberes: práticas para transformar o mundo”, do projeto “Novos Paradigmas”, uma iniciativa da Abong com apoio financeiro de Brot für die Welt.

Essas lições destacam a necessidade de abordagens integradas e colaborativas para fortalecer a participação cívica e a construção de uma sociedade mais justa e democrática, alinhando o Seminário aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especificamente as metas ligadas a redução de desigualdades (ODS 10) e paz, justiça e instituições eficazes (ODS 16).

A Abong, Organizações em Defesa dos Direitos e Bens Comuns, fundada em 1991, tem como missão fortalecer as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) brasileiras. Em parceria com movimentos sociais, a associação busca dialogar com governos em prol de um mundo ambientalmente justo, com igualdade de direitos e livre de todas as formas de discriminação.

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5 textos de representantes negras da sociedade civil organizada

No Dia da Consciência Negra, elencamos cinco textos de representantes negras da sociedade civil organizada com reflexões sobre política, produção de conhecimento, o papel da sociedade civil a partir do viés antirracista. 

◾Nossos passos vêm de longe! Movimentos de mulheres negras e estratégias políticas contra o sexismo e o racismo  – Jurema Werneck 

http://www.bibliotecadigital.abong.org.br/handle/11465/886

 

◾Racialidade e produção de conhecimento – Maria Aparecida Silva Bento

http://www.bibliotecadigital.abong.org.br/handle/11465/189

 

◾Pela construção da igualdade racial – Sueli Carneiro 

http://www.bibliotecadigital.abong.org.br/handle/11465/1886

 

◾As ações afirmativas e a promoção da igualdade racial a perspectiva da Abong 

Mônica Oliveira e Taciana Gouveia 

http://www.bibliotecadigital.abong.org.br/handle/11465/179

 

◾Cartilha de combate ao racismo institucional – Abong e Ação Educativa

http://www.bibliotecadigital.abong.org.br/handle/123456789/1934

 

Nos encontramos na luta!

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Abong entra na campanha por uma ministra negra e progressista no STF

Na última quarta-feira (08), a Abong em parceria à Ação Educativa e Aprendiz, estenderam uma faixa de 20 metros de comprimento no centro de São Paulo em apoio à campanha promovida pelo movimento negro e feminista para que o Governo Federal indique uma ministra negra e progressista ao Superior Tribunal Federal (STF). 

Para a Abong, a indicação não é apenas sobre representatividade, mas sobre a radicalidade necessária para interromper um ciclo de 132 anos sem uma mulher negra pautando mudanças no órgão máximo do poder judiciário. Assim, a nomeação de uma magistrada comprometida com a luta antirracista seria um marco para a radicalização democrática que guia as ações da sociedade civil.

“Compreendemos que o racismo é estruturante das desigualdades no Brasil e a presença de uma ministra negra no STF é fundamental para que se possa olhar para o ordenamento jurídico através de uma lente racial. A nossa defesa é para que o governo federal reconheça a importância de uma candidatura negra comprometida com as transformações estruturais essenciais para a construção de uma sociedade igualitária”, afirmou Juliane Cintra, que integra a diretoria executiva da Abong pela Ação Educativa. 

A campanha por uma ministra negra no STF conta com o apoio de diversas organizações de todos os campos da sociedade civil. Para mais informações, acesse o site: https://ministranegranostf.com.br/

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Extermínio da Juventude Negra

A pandemia da COVID-19 impôs, nos últimos meses, o debate sobre defesa da vida, seja nos principais noticiários e veículos de imprensa, no dia-a-dia das conversas habituais, nas mudanças de cenário das ruas e espaços que frequentamos em nosso cotidiano, todos estamos pensando ou falando sobre proteção. Crises políticas e econômicas por mais profundas, não ofuscam a contagem dos mortos e as celebrações em torno daqueles que se recuperam despontam em forma de alívio, quase como um sorriso entre os dentes.

As desigualdades tornaram tudo ainda pior, sem saneamento básico, acesso à saúde e condições básicas de subsistência, o extermínio dos mais pobres segue sua marcha de terror. Já são quase 20 mil mortos oficialmente notificados em todo país, a maioria deles localizados nas periferias das grandes cidades. De acordo com dados do boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, nesta terça-feira (19/05), 54,8% dos óbitos registrados são de pessoas pretas e pardas. Embora as pessoas brancas ainda sejam a maioria entre os pacientes hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (51,4%), elas viram minoria entre os mortos (43,1%). A inversão da proporção de internações e mortes entre negros e pardos evidenciam o racismo institucionalizado: somos 45,7% nos hospitais, mas 54,8% das vítimas fatais.

Esta poderia ser mais uma nota que elenca as desigualdades no país que tem sua centralidade na exclusão da população negra, mas a contagem dos nossos mortos têm sido naturalizada desde muito e agora temos o coronavírus como mais um inimigo. Desde a última sexta-feira, 15, inúmeras operações policiais aconteceram em diferentes comunidades do Rio de Janeiro. A semana terminou com uma chacina no Complexo do Alemão, na qual o Estado Brasileiro legitimou e assassinou 13 pessoas por meio da Polícia Militar da capital fluminense. O início de uma nova semana, que ainda nem acabou, contou com mais incursões que resultaram na morte de João Pedro, 14 anos, assassinado – e, posteriormente sequestrado – na sala de sua casa. Iago César Gonzaga, 21 anos, morto por policiais em uma ação no bairro do Acari, Zona Norte do Rio, além da perda de João Vitor, 18 anos, baleado ontem durante um entrega de cestas básicas na Cidade de Deus. O padrão se repete e a intenção é a mesma: o extermínio da população negra por todos os meios possíveis.

É inadmissível que as operações policiais sigam em curso durante a pandemia, quando isolamento social é exigido pelos órgãos governamentais e recomendado por autoridades sanitárias. Tal situação amplia a fragilidade das populações de comunidades, cujos próprios recursos de proteção e defesa estão limitados num cenário de surto de COVID-19. Além disso, embora sejam registradas apreensão de drogas e armas, vale registrar que em qualquer momento todas estas ações são residuais, ineficazes e não asseguram o direito humano à segurança pública nem dos moradores das comunidades, muito menos do entorno. É preciso que a Secretaria da Segurança Pública do RJ, a Corregedoria Geral da PM e o Executivo Nacional sejam responsabilizados e se manifestem sobre as intervenções policiais, que apenas deflagram mais mortes, sobretudo de jovens negros – assassinados a cada 23 minutos ( Mapa da Violência, 2017).

Nós da Abong – Organizações em Defesa dos Direitos e Bens Comuns manifestamos solidariedade às famílias das vítimas e seguimos na construção cotidiana da luta antirracista e enfrentamento do genocídio da juventude negra em aliança com organizações e entidades do movimento negro nacional e internacional.

#SomosTodosJoãoPedro
#SomosTodosIago
#SomosTodosJoãoVitor
#AlvosdoGenocidio

#AbongNasRedes

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E os direitos trabalhistas?

Na semana marcada pela reflexão em torno do dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, período instituído para sensibilizar a sociedade em relação ao compromisso do Estado e de todos/as os/as cidadãos em zelar pela proteção das nossas crianças, queremos nos solidarizar com a família de Miguel Otavio Santana da Silva, 5 anos, morto após queda do nono andar do edifício onde sua mãe trabalhava como empregada doméstica. Nós, da Abong – Organizações em Defesa dos Direitos e Bens Comuns, nos somamos as vozes que denunciam o racismo cotidiano que legitima o tratamento negligente relegado às crianças e jovens negros/as. O infeliz episódio ocorrido na terça feira, dia 02 de junho, é resultado do processo de desumanização infligido à população negra, com conivência e participação das instituições públicas e de toda a sociedade. Nos solidarizamos com todas as mães que enterram diariamente seus filhos mortos pelo racismo.

Lembramos também de outra efeméride: os 7 anos da PEC das Domésticas, que reconheceu os direitos destas trabalhadoras no Brasil. Miguel acompanhava sua mãe Mirtes Renata Santana de Souza, empregada doméstica, ao trabalho, situação comum, resultante das violações a que esta classe profissional, majoritariamente composta por mulheres negras, é submetida. Apesar da pandemia de COVID-19, Mirtes não teve o seu direito ao isolamento social reconhecido, o Estado de Pernambuco negligenciou esta família a submetendo a tal situação de vulnerabilidade, que passa por uma cultura pública de desrespeito, que não assegura o direito à educação desta criança, à seguridade social de inúmeros trabalhadores autônomos e muito menos a dignidade humana – princípio fundamental de um Estado de Direito Democrático – de crianças e mulheres negras. O enfrentamento ao racismo, exige seu reconhecimento enquanto prática discriminatória que inviabiliza a plena cidadania da maior parte da população brasileira, a ausência de mecanismos e políticas públicas que combatam o racismo e apliquem sanções adequadas aos/às violadores/as escancaram a marginalização da agenda em todas as esferas sociais.

No Brasil, 6,4 milhões de pessoas atuam no trabalho doméstico, destas, 63,3% são negras e 95% são mulheres. A vulnerabilidade dessas trabalhadoras, que dependem desta renda, acabam as expondo ainda mais aos riscos de contágio de COVID-19. O trabalho doméstico é uma das principais heranças do Brasil escravocrata, assim como o abandono social de crianças negras que resulta numa taxa de mortalidade entre crianças negras e pardas brasileiras de dois terços superior à da população branca de mesma idade. Em outras palavras, até os 5 anos de idade as crianças negras têm 67% mais chances de morrer que uma criança branca. (IBGE).

Quando historicamente, os movimentos e organizações negras pautam o racismo como estruturante em todas as relações sociais em nosso país, isso implica compreender como ele é nocivo também na dimensão das relações cotidianas, o que aconteceu no Condomínio Píer Maurício de Nassau está diretamente relacionado a dívida histórica que o Estado e a sociedade brasileira tem com todos os grupos racializados em nosso território. Basta de extermínio!

O compromisso com a luta antirracista é uma responsabilidade de cada um de nós.

#AbongNasRedes
#VidasNegrasImportam
#SomosTodosAntirracistas

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Mulheres Negras

Julho das Pretas | Dia da Mulher Negra Latino Americana

“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”
Angela Davis. No Julho das Pretas, vamos mostrar as mulheres que movem a Abong, mas queremos
conhecer também todas as mulheres que fazem parte das suas organizações, empresas,
escritórios, etc. É muito importante repensarmos quais são os espaços reservados socialmente a essas
mulheres e entendermos que seremos verdadeiramente antirracistas quando as negras
ocuparem todos os espaços de emprego. Por isso, vamos celebrar o dia 25 de julho – Dia
Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, dando emprego e acesso a
qualificação a essas mulheres.

E celebre também marcando aqui uma mulher negra incrível que trabalha com você!

#VidasNegrasImportam #AbongNasRedes #SomosTodasONG #SomosTodosAntirracistas

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Manifesto

Manifesto: Mulheres Negras Movem o Mundo

Se tivéssemos que escolher uma palavra que representasse a atuação política das mulheres negras, esta seria um verbo e este verbo seria inaugurar. Aqui empregado no sentido de pioneirismo, recomeço, reinvenção, criação de um novo mundo.

Como artesãs, inventoras cotidianamente construímos uma nova ordem social. Ser mulher negra exige a transformação das realidades. Para nós, a defesa de direitos está no campo da afirmação da humanidade negada pelo racismo e machismo desde o momento da colonização.

Nos recusamos historicamente a aceitar os lugares pré-determinados pela exclusão, o nosso repertório de organização política foi criado na diáspora, está presente nos mitos sagrados do candomblé e umbanda, vem das sociedades secretas como Geledé e Eleekó, na luta quilombola, na resistência à escravatura, na construção da identidade de um país como Brasil, forjado na bárbarie racista, mas também na luta pela existência.
Se quiser compreender como nos movimentamos, deve abandonar as perspectivas tradicionais, a força social das nossas mobilizações está inserida nas instituições, todas elas, mas também nas livres manifestações culturais e seu campo possível de experimentações, dos novos usos sociais da linguagem.

Hoje a Abong – Democracia, Direitos e Bens Comuns assume o ponto de vista das mulheres negras, nós que estamos falando neste manifesto. Fomos fundamentais para a redemocratização incipiente desta nação, somos imprescindíveis para o fortalecimento da atuação da sociedade civil e estamos presentes nas organizações sociais. Assim, exigimos respeito, valorização, equiparação salarial e melhores condições de trabalho. Queremos ser reconhecidas por nossa produção intelectual, como interlocutoras políticas, afinal, será impossível ser e existir sem as nossas contribuições, já não há mais tempo para o convencimento e formação da branquitude, ou compreendemos que relações raciais e de gênero devem estar no centro das nossas reflexões e orientar a nossa prática política, ou seguiremos ultrapassados, em tempos em que a reinvenção é pressuposto para as lutas sociais.

Quando é necessário criar uma nova linguagem e, portanto, um novo mundo capaz de dar conta do pleno exercício da cidadania de mulheres negras, o que ainda não está dado como possível na atualidade, muitas são as formas de engajamento e mobilização, todas únicas e pioneiras. Como você atua no sentido de construção deste novo mundo?

Qual será o posicionamento da sua organização?

Conheça as ações da Abong para os Julho das Pretas e faça parte!

“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”
(Angela Davis)

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Live

Como parte da programação da Virada da Democracia, a Abong vai debater os fundamentos e
aspectos de reforma ou ruptura na relação entre Democracia e Luta Antirracista.
Bater um papo com Alê Almeida, da Abong, Carmela Zigoni do Inesc e Micha Nunes da Ação
Educativa.

Link: bit.ly/democraciaelutaantirracista

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